domingo, 20 de janeiro de 2013

UNIÃO DOS JAZZ BANDS - 1929

Em Curitiba na passagem de 1920 para 1930, a diversificação das atividades no meio artístico eram intensas, neste tempo, os músicos eram instrumentistas nas orquestras e regionais das rádios acompanhavam intérpretes que dominavam inúmeros gêneros musicais, formavam jazz bands em salões de baile ou em salas de espera de cinemas. Porém, ainda neste tempo, não existiam leis para dar suporte a profissão de músico. As políticas trabalhistas não sustentavam este universo diversificado e veloz da vida do músico. Vinci de Moraes, (2000, p.101), aponta que “esse quadro renovador e de expansão dos meios de difusão musical e do mercado de trabalho era extremamente ambíguo e paradoxal” em São Paulo, já continha uma “aura glamourosa própria do mundo artístico”, mas mesmo assim, “na realidade o músico popular paulistano continuava enfrentando inúmeras dificul­dades para sobreviver apenas dessas atividades e, de maneira geral, discriminado e encarado como desocupado e boêmio”, (MORAES, 2000, p.102), muitas vezes ser músico naquele tempo era pejorativo, era coisa de vagabundo que tocava em bailes, bares, e mais tarde em boates. Em Curitiba, em menor ou maior grau, não era diferente, notamos no decorrer da pesquisa que a própria falta de informações sobre este tempo, ou mesmo um olhar mais atento por parte da sociedade, a mesma sociedade que consome a música feita pelos mesmo músicos que são distanciados do quadro histórico, está relacionado a este fator paradoxal - entre a efervecência no campo de trabalho e a insuficiencia de leis trabalhistas que pudessem apoiar a vida artística.


Os músicos curitibanos parecem ter tentado modificar este quadro, formando uma agremiação no final da década de 1920. Estes dados foram encontrados no jornal a República (1929), que anuncia a inauguração da União Jazz Band uma agremiação que reunia “todos os Jazz bands da capital com o objetivo de unificar os músicos e defender os interesses da classe”. A Soirée dançante aconteceu nos Salões da Sociedade Protetora dos Operários, no dia oito (8) de junho de 1929. A União dos Jazz Bands, reunia os grupos da capital, cujo objetivo era o de unificar os músicos e defender os interesses da classe a ponto de realizar quinzenalmente festas beneficentes e bailes no salão do Teatro Hauer (Jornal Correio do Paraná, 12/04/1932). Segundo o artigo no jornal Correio do Paraná o “resultado financeiro do baile era encaminhado para a caixa beneficente, que tinha por finalidade auxiliar os músicos enfermos e necessitados[1], como neste “vesperal baile dançante dedicado a classe operária, em comemoração a data 1º de Maio, tocando três conjuntos musicais, o American, o Roial e o Paraná-Gaucho Jazbandes” [2]. (Correio do Paraná, 30/04/1932). Outros nomes de grupos encontrados nos jornais são: Jazz Paraná, Curitybano Jazz, Internacional Jazz Band Fuzarca, Paraná-Gaucho Jazz Band, Os Futuristas Jazz Band, Os Foliões Jazz Band, Cruzeiro do Sul Jazz Band, American Jazz Band e Royal Jazz Band

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