domingo, 30 de outubro de 2011

BRASIL - NO RASTRO DAS JAZZ BANDS


A criação de grupos de Jazz-band espalhou-se pelo Brasil, Segundo Alberto Ikeda (1987:09), “Pela década de [19]20 afora, proliferaram em diversas cidades do Brasil, até nas cidades interioranas, as formações instrumentais do tipo Jazz-band”. Em pouco tempo, as Jazz-bands substituíram as orquestras de baile, dançava-se na América do Norte, na Europa e no Brasil surgiam orquestras de música que para acentuar a novidade, segundo Tinhorão, “indicavam pelos próprios nomes a origem da sua influência: American Jazz-band, de Sílvio de Souza, Jazz-band Sul-American, de Romeu Silva, Orquestra Pan-Americana, etc.” (TINHORÃO, 1956:36).

Pode-se entender que o conceito Jazz-band é para as formações musicais destinadas a diversão e a dança, seguindo o repertório dos novos gêneros e ritmos que surgiam no período e a nova formação instrumental, que segundo Zuza Homem de Mello (2007:72), “incluía a seção rítmica (centralizada na bateria), banjo, tuba e eventualmente piano, dois ou mais violinos e os quatro instrumentos de sopro que variavam entre trompetes e trombones (nos metais), clarinetes e, novidade na família das palhetas, o saxofone”. As Jazz-bands se caracterizaram, principalmente pelas inovações que se deram no tipo de formação orquestral à base de vários instrumentos de sopro, a bateria, banjo e piano, Alberto Ikeda (1987:09), também comenta que “pela década de [19]20 afora, proliferaram em diversas cidades do Brasil, até nas cidades interioranas, as formações instrumentais do tipo jazz-band”.

Instrumento básico das Jazz-bands, é provável que a primeira bateria tenha chegado ao Brasil em meados de 1919, pois já encontramos notícia da excursão do pianista euro-americano Harry Kosarin exibindo sua Jazz-band com uma bateria americana como novidade na formação instrumental (GUINLE, 1953:89; IKEDA 1984:117; MELLO, 2007:74; LIMA, 1981:35; TINHORÂO, 1998:253). Tinhorão (1998:252) descreve o instrumento importado: “A bateria compacta inventada pelos negros do Sul dos Estados Unidos, à base de caixa, surdo, pratos e bumbo com pedal, o que permitia diferentes efeitos sonoros conforme o emprego de baquetas ou vassourinhas metálicas na percussão”. Em 1923, a companhia francesa de revistas Bataclan visita o Rio de Janeiro (RJ), trazendo vedete Mistinguett acompanhadas pela Gordon Stretton Jazz-band, possivelmente a primeira Jazz-band negra chegada ao Brasil, com o baterista Gordon Stretton como líder, fez alguns shows pelo Brasil, chegando a Porto Alegre, e muito provavelmente passando por Curitiba, levando para esses lugares o novo modelo musical para os grupos locais.

Hardy Vedana, no livro “Jazz em Porto Alegre”, cita que o músico Herald Alves “somente começou a usar a bateria completa, como hoje a conhecemos, a partir de 1924”, segundo o autor, foi quando esta Jazz-band em tournée pelo sul do Brasil trouxe entre os instrumentos “alguns ilustres desconhecidos: o banjo, que viria a substituir o violão nos conjuntos músicais, e a bateria, com bombo, caixa clara, pratos, cincerros, cocos e uma infinidade de acessórios, todos aco­plados em uma peça só”. (VEDANA, 1987:17). As Jazz-bands proliferaram para substituir as orquestras de baile, inserindo no repertório os novos gêneros, inovando a formação instrumental, a performance e o figurino dos músicos que também haveria de modificar o padrão. Muitas delas nem tinham esse tipo de formação, mas assim se intitulavam pelo modismo da época. Lentamente foram adicionadas músicas norte-americanas no repertório musical dos grupos que era formado basicamente de música brasileira. Mello (2007:72), esclarece que “nos primeiros catorze anos do século XX, a música instrumental brasileira gravada era dominada por dobrados, mazurcas, choros, polcas, valsas e quadrilhas”.

Mas a música norte-americana começou a entrar de maneira mais abundante no Brasil a partir de 1903 até 1914, duas casas responsáveis pela produção de discos no Brasil lançaram sete títulos de música americana, em 1927 jogaram no mercado um total de 182 novas produções entre fox-trots, one-steps, ragtimes, two-steps, fox-blues, shimmies, charlestone e blue, (OS SONS DO BRASIL, 1997:26). É claro que o impacto dessas novidades sonoras sobre o público e os músicos brasileiros não deixaria de ter conseqüências culturais. Segundo Korman (2004:5), “Já no começo dos anos vinte surgiram grupos brasileiros usando o nome Jazz-Band (...). Nas décadas de trinta e quarenta, swing, ballroom e trilhas de Hollywood já eram bem conhecidas nas grandes cidades do Brasil; no final dos anos quarenta e cinqüenta surgiram o bebop, cool e hard bop”.

Nesse processo Pixinguinha, foi um dos marcos, em 1922 em Paris (FR), com seu grupo Os Oito Batutas, teve contato com estilos como o charleston, o shimmy e o ragtime ao lado de Jazz-bands americanas, o que pode explicar o interesse de Pixinguinha pelo saxofone. Na volta ao Brasil, o antigo regional anunciava seu ingresso no gênero Jazz-band, passando a adotar o sax, o banjo e a bateria na formação. (CALADO, 1990:234). Pixinguinha chegou ao Rio de Janeiro (RJ), justamente quando Trupe francesa Bataclan, apresentava no Teatro Lírico a Revista V’la Paris, em dois (2) atos e trinta e uma (31) cenas.
Os Oito Batutas logo foram contratados por Madame Rasimi, empresária da Trupe, para montar a cena Trinta e dois (32) no show. É muito provável que uma estreita relação entre os músicos tenha ocorrido nesse momento e muitas trocas podem ter acontecido. Ainda sabe-se da passagem dos Oito Batutas pelo Sul do Brasil no ano de 1927, onde muito provavelmente contribuíram para a construção do imaginário musical da época por onde passaram.

Inúmeras formações destacavam-se naquele momento, surgindo várias Jazz-bands no Rio de Janeiro (RJ), como a Jazz Manon, de Dante Zanni, o conjunto instrumental Carlito Jazz, do baterista Carlos Blassífera, o Jazz-band Sul Americano, de Romeo Silva. Ary Barroso, entre 1923 e 1928, integrou as orquestras American-Jazz e a Jazz-band Sul-american enquanto Benedito Lacerda tocava em orquestras de jazz como saxofonista em 1929. (SCARABELOT, 2002:3). Em São Paulo (SP), apareceram o Jazz-band Andreozá, o Jazz-band República, o Jazz-band Cârafu, o Jazz-band Saívans, a Orquestra RagTime Fuseflas e o Jazz-band Imperador. Em Pernambuco (PE), é fundada em 1931, a Jazz-band Acadêmica de Pernambuco, conjunto formado por estudantes universitários sob a liderança do compositor Capiba. Em meados de 1923, em Porto Alegre (RS), aparece o primeiro grupo, o Jazz Espia Só, que inicialmente assumia a forma de um regional, mas em 1926, transforma-se em Jazz-band (VEDANA, 1987:17).

Na cidade de Curitiba (PR), passei a buscar nomes, identificar alguns locais, observar datas que forneceram algumas pistas valiosas como características sócio culturais da época. Porém, uma das maiores descobertas durante a pesquisa foi perceber a ausência de materiais sobre o objeto de estudo. Uma das únicas informações pertinentes é a respeito da Curityba Jazz-band, foi criada em 1923 por Luiz Eulógio Zilli e é considerada pioneira na formação instrumental, introduzindo a bateria americana na capital Paranaense e atuando intensamente por três anos nas festas da cidade (PROSSER, 2004:181). Ainda foram encontrados registros da Oriente Jazz-band como também da Ideal Jazz-band e Iris Jazz-band que pertenceram ao músico José da Cruz, ainda a Orchestra Jazz Elite, Regional do Irmão Todeschini, e Irmãos Otto. Segundo LAVALLE (1996:171-180), emPonta Grossa (PR), atuaram alguns grupos, como a Guarany Jazz-band, que durante vários anos realizou apresentações na Sociedade Guayra, assim como também a Tupynamba Jazz-band, em 1930.

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