quarta-feira, 6 de julho de 2011

Memórias de Chico Leite

"Fiquei-me a recordar as românticas serenatas da velha Curitiba da minha infância e juventude... Ainda estou a vê-los e ouvi-los, conversando, tocando, cantando modinhas. Este aqui é o Benedito Pistão (Benedito Antônio dos Santos), exímio pistonista que adicionava uma surdina ao seu instrumento, arrancando dele um som especial. Este outro é o Tenente Narciso, flautista incomparável. Seu sopro era logo distinguido entre todos os flautistas da grei. Aquele outro é Nho Duca (Januário Barbosa), que não só tocava violão, mas também tinha gosto em cantar lundus brejeiros. Lá também estavam: Álvaro Miranda, violonista; Heleodoro Lopes, flautista; Carlos Goudard, espanhol que ficou paranaense, abraçado ao seu violino; Juquinha Barbosa, mestre do clarinete; Eugênio Martins, violonista; João de Barros, flautista; Antônio Júlio, dono da requinta; Vicente Dias, violonista; Genuca (Genuíno Pereira), violoncelo; Paulino de Castro, flautista; Benedito Nicolau dos Santos, músico dos 7 instrumentos, especialmente de violão. Era Gênio musical, se assim me posso explicar, dado o seu admirável virtuosismo. Compôs musicas de todos os gêneros, como polcas, xotes, valsas, gavotas, sinfonias, operetas e óperas! Empunhando o seu trombone de vara, que tocava em surdina, eis outros da “velha guarda”: o Cipriano (Vicente Cipriano dos Santos), companheiro inseparável do grupo. Não devo esquecer o velho Alexandre Rouxinol, flautista inspirado, que sem nemhum formalismo paterno, às vezes se fazia acompanhar dos filhos, hábeis tocadores de violão. Como que estou a vê-lo, de cabelos brancos, como um pombinho, mas sempre firme e animado, de flauta à boca, desafiando aquelas noites hibernais..."

(FRANCISCO LEITE, Páginas Escolhidas, Comissão do Sesquicentenário da Assembléia Legislativa do Paraná, 2003, p. 242/243)

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